sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poetic-Lit – Djene (Uma Chick-Lit Poética)

Aviso: caso haja erros de métrica ou outros quaisquer, avisem-me e eu os corrigirei.Boa leitura.


Poetic-Lit – Djene

1
Quando Djene se mudou,
Por resolver ir tentar
A vida na capital,
Não podia acreditar
Que ela, em pouquíssimo tempo,
Um bom emprego ia achar.
2
Teve a sorte de encontrar
Amigas que, há um tempão
Não via, e, ao falar com elas
Da sua situação,
Pôde receber ajuda
De todas, sem exceção.
3
Com muita motivação,
Todas lhe vieram dar
Contatos, cartões, convites
E muitas dicas sem par
Pra que ela, enfim, conseguisse
Um emprego sem tardar.
4
Ao chegar a visitar,
Com seu currículo na mão,
Várias empresas e grandes
Redes de televisão,
Ela se viu indecisa
Devido a tanta opção.
5
Em toda conversação
Em cada empresa exemplar
Havia se dado bem,
Mas precisava optar
Por uma só, pois não dava
Pra tudo aquilo abarcar.
6
Antes de determinar
Com forte convicção
Uma coisa aquele instante,
Ela teve uma intenção
De ir a um determinado
Canal de televisão.
7
Obteve aprovação
Nos outros que quis tentar.
Mas aquele lhe chamava
A atenção sem cessar,
Visto ele ser diferente
Demais para “lhe” aceitar.
8
Bem, esse dado lugar,
A sua visitação,
Ainda não tinha “visto”,
Mas pela simples razão
De ela não fazer contato
Por falta de informação.
9
As amigas, na’intenção
De a verem logo encontrar
Um bom emprego, e bem rápido,
Não lhe quiseram falar
Sobre cantos mais difíceis
De alguma vaga arranjar.
10
Mesmo assim, ela quis dar
Uma chance à vocação
Que a’inclinava a emissoras
Grandes de televisão.
Então decidiu de vez
Enfrentar essa missão.
11
Foi com seu currículo à mão
E, chegando ao tal lugar,
Já viu que não ia ser
Muito fácil de arrumar
Um serviço ali naquele
Canal, já tão popular.
12
Viu muitos ali co’um ar
De total motivação
E certeza, e se sentiu
Imersa em indecisão,
Mesmo assim, quis aguardar
Em frente à recepção.
13
Vendo muitos no salão,
Não quis se pronunciar
Com demasia, só disse
A que veio e foi sentar.
Na’agenda, talvez tivesse
Ficado em último lugar.
14
Já estavam a chamar
Quando adentrou o salão,
Mas, apesar de algum tipo
De atraso, viu condição
De achar espaço na’agenda
Daquela instituição.
15
Era errada a impressão
Tida naquele lugar,
Pois ela, posteriormente,
Pôde, afinal, confirmar
Sua entrada ali naquele
Canal, “já tão popular!”.
16
Mal ela podia andar,
Devido à empolgação
Com que estava aquele instante,
Pois aquela ocasião
“Lhe reservou” muito riso,
Grito e comemoração.
17
Inda cheia de emoção,
Quis então telefonar
Pras amigas pra dizer-lhes
O que viera a se dar
Com ela aquele momento
De um ânimo sem similar.
18
Pegou o seu celular.
Discou a numeração
Da Raquel. Ela atendeu.
E ela, então, de supetão,
Contou-lhe a boa notícia
Dessa sua admissão.
19
E, aí, Raquel fez questão
De se dispor a ligar
Pras demais, embora tendo
Na linha do celular
Ainda a admitida
Naquele emprego sem par.
20
Começou logo a teclar
Os números da ligação
De uma e de outra colega
Na maior animação,
Porém sem deixar que a Djene
Tirasse o “fone” da mão.
21
Era em uma ligação
E em outra sem se deixar
Interromper a conversa
Que estava ainda a levar
Com a Djene, que não era
Também de deixar passar.
22
Isso, por seu celular
Oferecer-lhe opção
De atender várias chamadas
E as pôr numa condição
Como de linhas cruzadas,
Mas com’a monitoração.
23
Ao final, a ligação
Que viera a começar
Com uma pessoa só,
Deu-se de finalizar
Com quatro “loucas” “na linha”,
Todas querendo falar.
24
Raquel a monitorar
Tudo, fazia questão
De informar com paciência
Cada’uma com precisão...
E sem permitir que as mesmas
Dessem azo à confusão.
25
Só depois da’informação
Ser repassada com ar
De alegria, mas com calma,
A Raquel pôde botar
Todas na mesma chamada
Pra podê-las escutar.
26
Depois de muito falar,
Djene, pra fim de questão,
Resolveu chamar as mesmas
Pra’uma comemoração
Em um dos bons restaurantes
Daquela imediação.
27
E, ao fim da conversação,
Todas ficaram de dar
Uma passada no canto
Que ela veio a indicar.
Logo à noite se arrumaram
E foram ao tal lugar.
28
Raquel chegou com um ar
De tamanha empolgação
Que contagiou a todas,
Diante da ocasião
Ser mesmo pra se deixar
Levar pela animação.
29
A Bex não viu condição
De poder se controlar;
A Tamy também não viu;
E Djene tratou de entrar
Naquela festa de risos
Que ecoavam pelo ar.
30
Lá “começaram tomar”
Drinques feitos com limão.
Mas, após todas se verem
Co’ainda mais propensão
À’empolgação, decidiram
Mudar o drinque em questão.
31
Agora cada’uma à mão
Trazia algo pra tornar
A noite ainda mais “quente”;
E o recatado lugar
Ia ver o que elas eram
Capazes de aprontar.
32
Começaram a dançar
Ali mesmo no salão.
Havia muitas pessoas,
Cadeiras, mesas e o chão
Estava liso demais,
O que arriscava essa ação.
33
Com pouco, um escorregão,
Um tombo e todo o lugar
A ficar bestificado
Co’aquela cena sem par.
Coisa que não acostumava
Vir a se verificar.
34
Então, rindo sem parar,
As garotas em questão
Decidiram prosseguir
Com aquela “agitação”
Noutro canto, pois ali
Não havia condição.
35
Com a mesma empolgação,
Ou maior, foram “achar”
Uma boa discoteca
Onde pudessem dançar
E se divertir à vera,
Já sem se “preocupar”.
36
Encontrando um bom lugar,
Pararam pra diversão.
Havia uns garotos lá
Que “estavam de azaração”...
E eu nem preciso dizer
Como acabou “a sessão”.
37
A segunda foi de ação,
Após distração sem par
Em uma sexta animada,
Um sábado pra se lembrar
E um domingo que jamais
Deveria se acabar.
38
Mas findou e ela, ao olhar
Praquela situação,
Teve que se conformar,
Então fez a decisão
De tratar de se arrumar
Pra’entrar noutra ocupação.
39
Depois da transformação
Da’aparência, inda no lar,
Ela partiu pra o trabalho
A fim de poder “tocar”
Essa novíssima missão
Que aceitou realizar.
40
Chegando pra trabalhar,
Teve a apresentação
Dos seus colegas de ofício
E da localização
De toda sala ligada
“Com” a sua atuação.
41
Conseguira admissão
Numa área peculiar,
A área de criação,
Onde já viera estar
Quando, na’universidade
Inda estava a estudar.
42
É que veio a se formar
Em Cinema, por razão
De gostar da’área voltada
Para a roteirização.
Então tava no setor
Perfeito pra’atuação.
43
- Junto com você estão
Djey e Ed... Pra’ajudar! –
Ela ali ouviu a chefe
Daquela área, a apontar
Pra os dois já acomodados,
Cada qual em seu lugar.
44
Ana era chefe do andar
Tido pra’acomodação
Dos roteiristas, “designers
E outros que, na criação
Publicitária, atuavam
Com total dedicação.
45
Djene ouviu a’explanação
Todinha sem nem pensar
Em interromper a chefe
Quando ela estava a falar.
E, só após se achar só,
É que pôde se expressar.
46
- Então este é o lugar
Onde ocorre a criação
Dos programas mais bem vistos
Por toda a população
Que habita por esta rica
E imensa região?...
47
Com uma caneta à mão,
Numa cadeira a girar,
Ela se viu satisfeita
Por naquele canto estar.
Olhou pra tudo e aguardou
A hora de começar.
48
Mas não ia iniciar
Inda a sua atuação.
Foi chamada pra’um almoço
Com todo o alto escalão
Daquela rede; e, após
O’almoço, a liberação.
49
Saiu em reflexão*,
Por desejar desvendar
Porque lhe trataram tão
Bem, já que ouvira falar
Que aquela rede um “porre”,
Coisa de não suportar.
(*o “x” como 2 sílabas)
50
Por certo seu exemplar
Currículo fora(^) a razão
Desse tamanho interesse
De todos ali... E, então...
Era aproveitar a pompa
E gozar da posição.
51
E, sem preocupação,
Ela pôde começar
No outro dia a fazer
O que estava a almejar,
Mas tão ansiosamente,
Que mal podia esperar...
52
Ganhou algo em que pensar
E, sem ver hesitação,
Opinou e deu motivos
Pra que todos, no salão
De reuniões, lhe dessem
Razão na colocação.
53
Depois da reunião,
Foi à sua sala olhar
Como podia fazer
Para tentar ajustar
A redação do roteiro
Sobre o qual quis opinar.
54
A última sala do andar
Era a sua; e ela não
Perdeu tempo. Dirigiu-se
Ao seu espaço em questão
E tratou de entrar em seu
Processo de criação.
55
Por fim, a demonstração
Oportuna e singular
Do seu grau de habilidade
Na’área de roteirizar
Deu-lhe um posto ainda mais
Digno de se orgulhar.
56
Todos lhe quiseram dar
Parabéns pela ação
Perfeita “ali” na mudança
Do tal roteiro em questão.
E ela ficou sem palavras
Diante de tal reação.
57
Já vendo a ocupação
Como algo “pra” não se achar
Preocupada, ela achou
De começar a pensar
Em um relacionamento
Co’alguém daquele lugar.
58
Djey, há muito, estava a par
Da sua situação
De ausência em atividades
Que envolvessem relação
Amorosa e se mostrava
Pronto pra’entrar em ação.
59
E ela, muito atenta, não
“Se via” sem suspeitar
Do Djey e, então, decidiu
Chamá-lo pra conversar.
Ele não ficou surpreso,
No entanto, fingiu estar.
60
Era de se admirar
Aquele tipo de ação.
Ela nem titubeou
Diante da ocasião
Propícia pra vir tomar
Tão complexa decisão.
61
Era a modernização
Fazendo ela se achar
No direito de poder
Interferir no “andar
Da carruagem” da vida,
E uma chance aproveitar.
62
Na verdade, é grande azar
Pra o homem a condição
De ter sempre que tomar
A complexa decisão
E nunca “vê-la” tomada
Pela garota em questão.
63
Sem ter discriminação,
Todos têm que concordar
Que a mulher deve fazer
A sua vida tomar
A direção que ela quer,
Agindo sem hesitar.
64
E a atitude exemplar
Tomada na’ocasião
Pela Djene fez o Djey
Encontrar-se em condição
Totalmente apropriada
Para uma declaração.
65
Ele, um dia, fez questão
De vir a desabafar.
Falar tudo o que ainda
Ele tinha pra falar.
E ela ficou encantada,
Ao vê-lo se declarar.
66
“Já era hora de morar
Junto”. Essa que era a questão.
Ela resolveu mudar-se
De vez pra habitação
Dele, e ele se sentiu
Muito bem co’a decisão.
67
Mas a mudança em questão
Ia se concretizar
Só depois de alguns dias,
Que ela tinha que falar
Inda co’o proprietário
Dono de onde era o seu lar.
68
Falou e quis fixar*
Data pra devolução
Daquela casa alugada
Que era a sua habitação,
Mas que não seria mais
Em futura ocasião.
(*o “x” como 2 sílabas)
69
Toda a “ambientação”
Sentimental do lugar
De trabalho para os dois
Haveria de mudar.
Mas ela “viu-se” à vontade
Quando isso pôde notar.
70
Semanas a namorar,
Meses de satisfação,
E a coisa “se viu” mudada
Devido à situação
Que obrigou o Djey a vir
Tomar dura decisão.
71
Optou pela opção
De, ali, não desperdiçar
Aquela chance que tinha
De a sua vida mudar
Indo trabalhar em outra
Rede que o veio a chamar.
72
Ele tinha dado azar
Outrora em toda a ação
Que fizera pra tentar
Conseguir admissão
Naquele canal, na vaga
De chefe de redação.
73
E, após tanta “ralação”,
Agora via se achar
Em condição favorável
E decidiu não ficar
Mais onde ele trabalhava,
Optou por viajar.
74
A rede iria “mandar
Ele” à outra região.
Mas ele não se importou
Com aquela informação.
E resolveu aceitar
Sua nova ocupação.
75
Mas, com essa decisão,
Teve, então, que se ausentar
E a Djene, aí, decidiu
A relação acabar,
Pois não daria pra ele
Com tantas coisas arcar.
76
Posto que, aquele lugar
Pra onde ele iria, não
Ficava nadinha perto
E é certo que a relação
Seria prejudicada
Co’aquela separação.
77
Da tal localização
Onde estava a trabalhar,
Ele até que costumava
Ligar para perguntar
Sobre como estava ali,
Mas não queria voltar.
78
E ela decidiu deixar
Pra trás a tal relação.
Continuou inda amiga
Do Djey, porém fez questão
De tentar partir pra outra
Pra não se ver sem ação.
79
O Ed era um amigão
Que sempre vinha ajudar
Quando ela necessitava
De uma ajuda no lugar
Concernente a algum texto
Que era ruim de consertar.
80
Disse que iria morar
Noutra localização,
Pois o dono do imóvel
Da antiga habitação
Que alugara precisava
Vender a casa em questão.
81
Passou a informação
Que ela queria escutar,
Pois necessitava urgente
De um canto para ficar
Que não fosse muito caro
E difícil de alugar.
82
Afirmou então “topar”
Dividir a locação
Do apartamento com ele,
Pois que a sua precisão
Era demais dado instante
E aquela era a solução.
83
A partir de ocasião
Tão propícia pra tentar
De vez aproximação
Mais nítida, ela quis mostrar
Que estava mesmo propensa
A se deixar conquistar.
84
Mas o fato é que o azar
De tão boa ocasião
Ser atrapalhada pela
Moça da recepção
Veio atravancar a fase
Da paquera e sedução.
85
Era estagiária e não
Estava ali pra brincar.
Começou logo com tudo
E o Ed quis se deixar
Envolver pelo seu charme
E a começou namorar.
86
Djene quis se controlar,
Mas pra tal não viu ação
Que bastasse, visto que
Toda a sua reação
Diante dela deixava
Clara a sua posição.
87
E, assim, não “largou a mão”
De continuar a tentar
Mostrar que era, na verdade,
Algo pra não se deixar
Passar, pois era mais bela
Que a que ele estava a “pegar”.
88
Intentou, então, buscar
Um carinha bonitão
Dentre as muitas amizades
Das amigas que, em questão,
Viam-se ali totalmente
Envolvidas “na missão”.
89
Naquela sua “armação”
Pôde algum êxito lograr.
Ao menos agora o Ed
Começava a encarar
Sua amizade com ele
Co’outros olhos, em seu lar.
90
E não demorou pra’achar
Algum tipo de razão
Pra perguntar sobre o cara
E qual era a relação
Entre ela e ele, e o tempo
Dessa amorosa união.
91
“Se fez” até de durão,
Só que dava pra notar
Que ele havia se sentido
Estranho ante a singular
Relação que ela mostrava
Estar a vivenciar.
92
Começou a se afastar
Da tal da recepção.
Certo é que havia “ficado”
Com ela na condição
De namorado, porém
Mudou de situação.
93
Aí, Djene, por razão
De ver se desconsertar
A relação “dos pombinhos”,
Deu-se também a se achar
Só e, assim, a coisa toda
Veio a se modificar.
94
Pra, enfim, se configurar
Uma ardente relação
Entre os dois, A Djene e o Ed,
Não houve demora não.
E, assim, a coisa esquentou
Lá naquela habitação.
95
A tal da recepção
Deixou de se apresentar
Na emissora onde os dois
Dividiam o lugar,
Agora co’uns novos nomes
Que estavam a trabalhar.
96
Mas a Ana, ao tal lugar,
Também não vinha mais não.
O povo desconfiou,
Após tanta reunião,
E a Ana sem dar as caras
Ali naquele salão.
97
O fato era que a questão
Dela não se apresentar
Era o caso de ela ter
Viajado pra pegar
Uma vaga lá na rede
Onde o Djey foi trabalhar.
98
Sim, e ela pôde deixar
Vazar a informação
Que só fora(^) pra tal rede
Por “mera e simples” razão
De estar grávida e se envolvendo
Co’o Djey já há um tempão.
99
A Djene “perdeu o chão”
Quando foram lhe contar
Que a chefe já namorava
O Djey desde o singular
Momento em que ele assumira
Que com ela ia morar.
100
Djene quis telefonar
Pra ele pela razão
De querer saber se ele
Tinha alguma explicação
A dar a ela daquela
Degradante informação.
101
Quem a convenceu que não
Deveria ir procurar
Por qualquer informação,
Vindo a se preocupar,
Foi o Ed e ela optou
Por não mais telefonar.
102
Djey casou lá no lugar
Onde exerce a profissão
Ainda hoje com a Ana,
Chefiando a redação
De um dos canais mais falados
Lá daquela região.
103
A Djene, na redação
De um também bem popular,
Trabalha ao lado do noivo.
E o Ed quis se mudar.
Foi pra longe. “Se casou”.
E não quis mais retornar.
104
Quem ali veio a mudar
Toda evidenciação
De calmaria e marasmo
Dentro da tal redação
Foi o San, já quando o Ed
Quis sair da região.
105
E é o San que, desde então,
Está ali a fazer
A Djene inda mais feliz,
Preenchendo o seu viver
De amor e motivações
Pra esquecer relações
Que não puderam durar.
Esse, um noivo atencioso,
Talvez, à frente, um esposo,
Caso esse amor tão zeloso
Venha a se perpetuar.

_AUTOR: RF AMARAL_



terça-feira, 10 de abril de 2012

Escrito Acordelado - Oitavão em Desafio - Embolada

Oitavão em Desafio
[O ímpar contra o par]
1
Eu aqui vou “botar pilha”
Pra gente seguir na trilha
Deste estilo na partilha
De verso e de inspiração.
Seguindo o melhor destino
No qual não há desatino,
Pois só a isso eu me inclino
Quando canto o Oitavão.
2
Na rima eu me predestino
Pra cantar contigo o hino
Deste estilo que é tão fino
Por galgar reputação.
Assim, me siga, poeta,
Pra gente alcançar a meta.
Mostre também ser atleta
Na prova do Oitavão.
3
Caminhando em linha reta,
Eu viso’a’estrada discreta
E evito a trilha incorreta
Pra não fazer confusão.
E, você, tome cuidado
Pra ver se não segue errado,
Que eu não tolero “abestado”
Nos oito pés do’ Oitavão.
4
Eu sempre tenho tomado
Cuidado e o verso criado
Por mim é sempre afastado
De qualquer incorreção.
Mas, você, que se garanta!
Pois minha cautela é tanta,
Que vate que se agiganta
Não me alcança em Oitavão.
5
Sua presunção me espanta.
Porém, você, quando canta,
Não chega a demonstrar quanta
Força tem na dicção.
Refresque a sua memória,
Pois na nossa trajetória
A sua fraca oratória
Jamais venceu no’Oitavão.
6
A sua fala é simplória,
Porém a minha é finória.
Se você não tem história,
Não venha com invenção.
Você me irrita e se anula
Com esta conversa chula
E, ao fim, sempre é quem me adula
Pra te ensinar o Oitavão.
7
A tua boca articula
Mentira que se rotula
Como a’informação mais nula
Em vã pronunciação.
Seja um pouco menos “místico”
E um pouco mais jornalístico,
Que isso é característico
De quem não vence Oitavão.
8
Meu informe é estatístico.
Não há nem sequer um dístico
Que seja anti-jornalístico
Nessa minha informação.
Você pode até sorrir,
Mas, no fundo, tem que vir
A si mesmo admitir
Que não tem vez no’Oitavão.
9
Longe de querer cair
No erro de suprimir
Algum dom seu e partir
Rumo à discriminação...
Mas, amigo, eu não entendo
O que, há muito, vens querendo
Provar, se o povo está vendo
Que és fraco no Oitavão.
10
Eu “é” que não compreendo...
Visto que o meu estupendo
Versejo não pede adendo
Quando da minha injunção.
Só obedeça e aceite;
Se ajoelhe e se sujeite
Ao meu dom e se deleite
Ouvindo o meu Oitavão.
11
Colega, eu peço, se ajeite.
Não ponha na fala enfeite.
Não toscaneje ou se deite
Se é pra’estar de prontidão.
Escute a voz do intelecto.
Não transmute o seu aspecto.
E não creia no prospecto
Que aclama o seu Oitavão.
12
Teu ser promove o infecto
Anúncio oral que detecto
Como algo ao qual não conecto
À minha imaginação.
“Me nutro” de coisas nobres
E não de relatos pobres.
Por mais que tu te desdobres
Não me vences no Oitavão.
13
Nem pelo valor dos “cobres”
Eu me vendo, então não obres
Tão mal pra que não soçobres
Junto com a embarcação.
Não manipule o sufrágio.
Não menospreze o adágio
Que diz que finda em naufrágio
Quem mente no Oitavão.
14
Respeite o meu apanágio
Que eu sou como um “Caravaggio”
Pintando e cobro pedágio
De quem passa em meu salão.
Te concedo algum aparte,
Não pra fazeres descarte
Do mais belo desta arte,
Que é não mentir no’Oitavão.
15
A pólvora em teu bacamarte
Está vencida, desarte*,
Descarte o’engodo e se aparte
Dessa falha informação.
Atire com balas boas.
Não tente atingir pessoas
Com falas que são canoas
Que afundam no Oitavão.

*desse modo; dessa maneira, assim sendo.
16
São passageiras garoas,
Miragens vistas das proas,
Enferrujadas coroas
Tuas falas, caro irmão.
Se pretende me atingir,
Se esforce pra conseguir
Algo que eu, podendo ouvir,
Confirme no Oitavão.
17
Jamais vim a desferir
O que não pude anuir,
Por isso, se proferir,
Eu sei dar confirmação.
O povo todo comprova.
Da geração velha à nova.
Porque, em tudo, eu dou prova
Que sou melhor no’Oitavão.
18
Não apelarei pra sova,
Pra morticínio, pra cova,
Apelarei só pra trova
Que abre e que fecha a canção.
Cada trova em bom quarteto
Pra fechar o “octeto”,
Pra ver qual o poemeto
Que sai melhor no’Oitavão.
19
Sei que cumpro o que prometo.
E sou bom no que me meto
A fazer, pois não remeto
Coisa sem destinação.
Então faço o desafio.
Quem for o mais arredio,
Mesmo em linguajar sadio,
Vencerá este Oitavão.
20
Aceito sem calafrio
Este desafio bravio.
Nem vou sentir arrepio
Nem me acovardar, irmão.
Não estás apaniguado,
Favorecido, apoiado,
Bem sustentado e firmado
Pra me “enfrentar” no’Oitavão.
21
Desnudo errante esgotado
Mentalmente e reputado
Por espúrio em seu estado
De desorientação.
Preso aos pecados vulgares,
Meretrícios, lupanares,
Servo do vício dos bares
Nos oito pés do’Oitavão.
22
Escravo de insalutares
Práticas que imperam em lares
No mais baixo dos lugares,
O’antro da devassidão.
Indivíduo ao bem alheio.
Sub-produto do meio
Que não deriva do veio
Precioso do’Oitavão.
23
Quotização sem rateio.
Iguaria sem permeio.
E espaço mental tão cheio
De um vazio sem proporção.
Desalento em dor funesta.
Desânimo em noite de festa.
Hora em que nada mais resta
Pra se fazer no’Oitavão.
24
Vossa Senhoria atesta
Que é parcial quando a gesta
Exige herói que se presta
A ajudar a nação.
Vossa fala é sem capricho.
A voz parece um cochicho.
E é um verdadeiro lixo
Vossa rima em Oitavão.
25
Já tu tens feição de bicho.
Vendedor de lucro mixo.
Fazes só parte do nicho
Da’escória que vive em vão.
Sem perspectiva de vida.
Sem entrada, sem saída.
Sem regresso e sem partida.
Nos oito pés do’Oitavão.
26
A chance a ti concedida,
Diariamente, é perdida
E dada de novo em lida
De não fazeres ação
Que venha favorecer
A ti mesmo e te fazer
Na vida um pouco crescer.
Nos oito pés do’Oitavão.
27
Vamos parar pra saber
Quem hoje é que vai vencer.
Deixa o povo olhar e ver
Mediante avaliação
Prévia feita em sua mente.
Que aqui o’embate foi quente,
Mas feito educadamente.
Nos oito pés do’Oitavão.
28
Paro e peço a toda gente
Que escutou atentamente
Este improviso insistente
Que fizemos no salão...
Sem troça, lorota ou “causo”,
Aqui minha rima eu pauso
E quem ganhar mais aplauso
Vencerá este Oitavão.
_________________________

* Caso existam erros de métrica por falta ou demasia de palavras, avisem-me. Sou humano e a atenção não coopera.

sábado, 7 de abril de 2012

Aviso a Todos os meus leitores! Atenção!!!



Leiam com atenção... E compreensivamente também.

Caso haja erros na métrica por falta ou acréscimo de palavras, compreendam que se dá por falta de atenção, não que eu erre de propósito.

No processo de escrita, às vezes a gente não se dá conta de uma palavra repetida ou de uma faltando.

Desde já, peço desculpas.

Por favor, compreendam que erros são, infelizmente, coisas comuns (isso até em obras com revisores!) em textos grandes.

Se puderem me alertar, será de bom proveito.

Peço o auxílio de todos. Achando um erro, mandem-me a informação de onde ele se encontra que eu o corrigirei posteriormente.

Tenho raiva de errar, mas a vida é cheia de imperfeição, e comigo não seria diferente! Sou humano!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Poetic-lit – O Viajante – 1º Parte

1
Eu tomei a decisão
De partir pra viajar
Por toda a minha nação
A fim de poder achar
Lugares onde eu pudesse
Minha vida aproveitar.
2
E um dia então quis marcar
Pra dar início à missão
De seguir país afora
Pra procurar diversão.
E, ao chegar o dado dia,
Eu não tive hesitação.
3
Tomei minha posição
De viajante a buscar
Aventuras necessárias
Pra se poder gargalhar.
Isso, porque em minha vida
Prazer eu via faltar.
4
Assim, a confabular
Toda a minha decisão,
Num ajuste de detalhes
Sem ver indisposição,
Parti pra realizar
Minha presente missão.
5
Entrei numa condução
Que iria me levar
À capital do estado,
Onde eu iria ficar
Por uns dias, mas depois
Iria a outro lugar.
6
E, sem me preocupar
Co'a saudade, dei razão
À minha longa jornada
E parti em direção
À capital do estado,
Iniciando a missão.
7
Naquela transladação,
Parei em muito lugar.
Conheci muitas garotas
Onde tive que parar.
Fora as de dentro do ônibus,
Com quem vinha a conversar.
8
Seis horas “deu” pra contar
Naquela transladação.
Mas a viagem me fora (^)
Motivo de distração.
Cada ponto, uma paquera,
Um lanche e uma diversão.
9
Cheio de descontração,
Resolvi não me calar.
Alguém entrava no ônibus,
Outros tinham que o deixar...
Com todos fiz amizade
Por querer me aproximar.
10
A ninguém quis irritar,
Por isso é que eu fiz questão
De não tocar em assuntos
De árdua continuação.
E optei por citar coisas
Que não causassem tensão.
11
Assim, segui numa ação
De ali me relacionar
Com todos com muito afinco,
Mas sem deixar me levar
Por desconfortos que uns poucos
Insistiam em causar.
12
Soube a hora de parar
E dar continuação.
Agi cautelosamente
E não causei confusão.
E a maioria findou
Dando a sua aprovação.
13
Ao descer da condução,
Não “hesitei de” apertar
A mão do bom motorista
Que me ouvira a conversar
Sempre co'um riso nos lábios
E pronto a me incentivar.
14
Tratei logo de buscar
Canto pra'acomodação,
Ao sair daquele ônibus,
Pra não me ver sem ação
Já altas horas da noite,
Por não tomar decisão.
15
Após a'interrogação
De uns que estavam a passar,
Quis então me dirigir
Ao mais citado lugar
Onde eu poderia, enfim,
Um bom hotel encontrar.
16
Tive a certeza, ao chegar,
Que toda a informação
Que ali na rodoviária
Recebera, com razão,
Era precisa e direta,
Sem haver “enganação”.
17
Tive a boa condição
De no local encontrar
Um hotel contendo quartos
Vagos e ali quis ficar.
Tudo muito aconchegante,
Adentrei pra me hospedar.
18
Depois de me acomodar,
Fui logo à recepção
Pra saber onde ficavam
Bons locais pra refeição.
Mas disseram que a estada
Já cobria essa questão.
19
Todavia, eu disse não
Com muito apreço ao falar.
Porque queria ir à rua
Pra tentar aproveitar
Tudo o que pudesse ainda
Daquele dia sem par.
20
Que o rubor crepuscular
Ali fazia menção
De um fim de tarde fugaz
E de uma iniciação
De uma noite um tanto breve
Pra quem busca distração.
21
Por isso é que eu fiz questão
De ir ali perguntar
Sobre alguns cantos “legais”,
Onde eu pudesse jantar.
Tudo era novo pra mim
E eu queria aproveitar.
22
Após muito me informar,
Saí com empolgação
À rua atrás dos lugares
Dos quais fizeram menção
As moças que me atenderam
Ali na recepção.
23
Sem levar carteira à mão,
Relógio nem celular,
Só um bom cartão de crédito
E uma “grana” pra gastar,
Parti pra o canto avistado
Pra, afinal, poder jantar.
24
Cheguei olhando o lugar
E entrei na ocasião.
Sentei em uma das mesas
Dispostas sobre o salão.
E aguardei os atendentes
Ali, co'o cardápio à mão.
25
Logo tive a atenção
De um dos garçons do lugar.
Tinha um bloco de papel
Numa das mãos pra'anotar
O pedido que eu faria
De algo bom para o jantar.
26
Comecei, pois, a olhar
O “menu” e fiz menção
De’iguaria apropriada
Praquela situação
E um vinho pra'acompanhar
Toda aquela refeição.
27
Ele fez anotação
E eu me pus a esperar,
Olhando as mesas em volta
Com'um pessoal a falar,
Aí me senti sozinho
Demais naquele lugar.
28
Porém não dei a pensar
Que aquilo era uma razão
Pra vir a me exasperar
E desistir da missão
Que, ao certo, ainda teria
Uma longa duração.
29
Veio da recepção
Um garçom pra colocar
O prato na minha mesa.
E, outro de modo exemplar,
Abriu o vinho e o serviu
Na taça sem derramar.
30
Provei-o sem hesitar
Misturado à refeição.
Agradou-me o paladar
Aquela degustação.
E “comecei comer” sem
A ninguém dar atenção.
31
Até que uma ocasião
Fez-me deixar de ficar
Tão voltado pra comida
De agradável paladar.
Foi uma garota bela
Que “passou” a me encarar.
32
Estava em dado lugar
Sentada, em situação
De reunião familiar,
Sem tocar na refeição.
E o que impressionava era
Sua desinibição.
33
Sua insistência em ação
De essência tão singular,
Fez-me ficar tão sem jeito,
Que eu quis até evitar
Continuá-la encarando,
Porém não pude parar.
34
Tentei até desviar
Ali a minha visão,
Mas havia algo na moça,
Uma espécie de atração
Tal que não me permitia
Colocar-me em negação.
35
“Com pouco”, ela fez menção
De querer se retirar.
Talvez pra ir ao banheiro.
E eu pude isso confirmar
Quando ela passou por mim
Encarando sem parar.
36
Apressei-me pra buscar
A moça na'ocasião.
Levantei-me da cadeira
Cheio de motivação.
Andei e pude encontrá-la
Bem distante do salão.
37
Estava com'um lenço à mão.
Por certo, pra retocar
A maquiagem, limpando
O que viesse a borrar.
Fui ao seu encontro e ela
Nem pensou em se esquivar.
38
Ficou ali a olhar
Numa mesma direção.
A direção dos meus olhos.
E eu não tirei a visão.
Cheguei onde a moça estava
E estendi a minha mão.
39
Ao cumprimentá-la, então,
Pude, por fim, perguntar
Seu nome e ela me olhou,
Sorriu e quis hesitar,
Mas, no final, terminou
Por “me”* querer revelar.
(*certo seria 'mo'= me+o)
40
Deu então pra avaliar
Seu grau de disposição.
Falei que queria vê-la
Em outra situação
Pra poder falar com ela
Com menos inibição.
41
É que ela, na'ocasião,
Tinha que se retirar
Pra evitar que os seus pais
Viessem-na a encontrar
Ali e dissessem algo
Que a pudesse envergonhar.
42
Caminhei pra retornar
À mesa da refeição.
Ela também caminhou
Praquela reunião
De pessoas da família
Que havia ali no salão.
43
Mas, antes, da sua mão,
Deu tempo para pegar
Seu número escrito em papel
Que eu vim a desembrulhar,
Cheinho de expectativas,
Sorrindo ali sem parar.
44
Eu pude a ver levantar
Da mesa da refeição.
Seguiu seus pais e entrou
Num dos carros, em questão,
Parados ali em frente
Em dada situação.
45
Minha desanimação
Ficou de não se ocultar.
Terminei a refeição.
Paguei e fui caminhar
Até o canto onde outrora
Viera a me hospedar.
46
Chegando àquele lugar,
Com tal precipitação,
Fui ao quarto pra pegar
O celular em questão,
O qual havia deixado
Ali por pura opção.
47
Peguei o bilhete à mão
O qual ela quis me dar.
Disquei o número com pressa.
E, ao começar a chamar,
Vi-me tão apreensivo
Que mal podia falar.
48
Ouvi sua voz no ar
Em viva-voz, mas eu não
Tinha voz pra responder,
Devido à minha emoção.
Nunca havia me encontrado
Como em tal situação.
49
Depois da repetição
Do seu nome eu escutar,
Foi que eu pude responder,
Bem perto do celular,
Que a não havia escutado
Direito ali a falar.
50
Foi só pra me desculpar
Que eu fiz pronunciação
Tão errada desse jeito,
Mas a continuação
Foi em tudo verdadeira
Sem haver indecisão.
51
Marquei a ocasião,
O horário e o lugar:
Um jantar, às vinte horas,
Lá no canto singular
Onde havíamos nos visto
Naquela noite sem par.
52
Pra'um dia após quis marcar
E ela não fez negação.
Ficaria então firmado
O encontro ali, por razão
De outrora não haver chance
Pra longa conversação...
[Fim da Primeira Parte]