quinta-feira, 8 de março de 2012

Poetic-Lit - Peça-poema - A Festa - Capítulos 1 e 2

Capítulo 1

1
Ghi*: - Hoje esta noite promete!
Vai ser sem comparação!
Bem... E, por falar em coisa
Pra qual não há condição
De se equiparar, cadê
A Camilla, meu irmão?
*Lê-se “Gui”. Cuidado! Não “Gúi”!
2
Fred: - Acho que tá vindo aí.
Mas só é telefonar.
Nem dei o toque, por que
A carga do celular
Tava fraca. E, se eu ligasse,
Não iria nem chamar.
3
Ghi: - Eu deixei o meu no carro.
Mas não tem atraso não.
Vou pegar. Espera aqui.
Vou fazer a ligação.
Fica com’o Cley e o Sérgio,
Que eu volto já, já, irmão.
4
Narrador: - Olá amigos e amigas!
A festa vai começar!
Se preparem pra “curtir”,
Que eu não vou deixar passar
Nada de agora em diante
Do que eu puder me inteirar.
5
É, a noite tá “legal”.
O Guilherme tem razão.
O clube hoje tá “bombando”.
Vai ser grande a “curtição”.
Garotas, mesas lotadas...
Tudo pronto pra ação.
6
A Taty disse que vinha.
O Sam não vai demorar.
A Bex tá se arrumando,
Só que já, já vai chegar.
E o Greg já tá na porta,
Se ajeitando pra entrar.
7
Fred: - E aí? Tu “viu” o Ghi?
Já tá fazendo um tempão
Que ele disse que “ia” ali
Fazer uma ligação,
Mas, até agora, nada.
Tô co’uma estranha impressão...
8
Narrador: - Bem... Até hei de convir
Que o Ghi não é de tratar
Nada que não venha após
Descumprir. E, assim, deixar
Mais um na vida aguardando
Ele afirmar e provar.
9
Greg: - Eu nem vi o carro dele.
Ele botou em que vão
Ali do estacionamento?
Pois eu não “vi ele” não.
Tu “sabe” como ele é...
Um cara sem decisão...
10
Fred: - Esse é tratante demais!
E aí, Sérgio, o lugar
Tá “legal” pra gente ir
Até ali pra chamar
As “minas” daquela mesa...
Pra gente poder dançar?
11
Sérgio: - “Oxen!” Agora é a hora!
“Vamo” tomar o salão!
O povo aqui tá “morgado”.
O clima tá paradão,
Então “vamo” dá um jeito,
Que eu tô com disposição!
12
Greg: - E eu? Posso ir com vocês?
Quanto mais; menos azar!
Sérgio: - Hoje “cê” tá se achaaando...
Mas se é pra nos ajudar...
Fred: - Que seja então... “Demorooou”!
“Vamo” botar pra quebrar!
13
Narrador: - As gatas “tão” na espera
Se nota a disposição!...
Mas, seis “minas” pra três caras,
Não “fecha” essa conta não!
É melhor achar mais três
Pra resolver a questão...
14
Fred: - Opa! “Cês” “tão” com vontade
De agitar o lugar?
Narrador: - O Fred se balançando
É coisa pra gargalhar!
Clarice: - “Vamo” lá, que eu quero ver
Se você sabe dançar!
15
Tamy: - E vocês? Como é que é?
Vão nos chamar pra o salão?
Greg: - “Vamo” botar pra mexer,
Que eu tô na agitação!
Brenda: - E você? Como é teu nome?
Nós vamos dançar ou não?!
16
Sérgio: - “Oxen”! Não tem quem evite!
Tô pronto pra arrasar.
Brenda: - “Vamo” ver se é isso tudo
O que tu “tem” pra mostrar.
Sérgio: - Arrodeie, meu amor!
Que eu tô doido pra dançar!
17
Narrador: - Quanta bebida na mesa!
Vai ser grande a “curtição”!
Bem... Pra três garotas, sim.
Mas, pras outras, a ação
No “dance” já pressupõe
Alguma outra distração...
18
Nill: - Bex, você tá em casa?
Narrador: - Atende esse celular!
Eu também odeio quando
Sou obrigado a deixar
Uma mensagem de voz
Pra quem não quer me escutar.
19
Bex: - Ah! Esse aí não “se manca”!
É bom nem dar atenção.
Narrador: - Mas que garota durona!
Essa não tem coração.
Bex: - Alô, Lidy? Vai sair?
Hum... Caiu a ligação.
20
Narrador: - Pra perdoar não atende,
Mas pra poder perguntar
A Lidy se vai pra festa...
Ah, pra isso quer ligaaar!
O Nill errou, mas merece
Uma chance pra falar.
21
Bex: - Atende Lidy! “Qualé”?
Tô na “mó” empolgação!
Lidy: - Bex? Alô! É que eu tava
No banho. Essa é a razão
De eu ter demorado tanto
Pra’atender a ligação.
22
Bex: - Ceeerto! E, aí, como é?
Tu “vai” lá hoje dançar?
Lidy: - Tu “vai”, é? Então eu vou.
Chego aí pra te pegar.
Bex: - Por que eu não vou e, depois,
Tu me “vê” lá no lugar?...
23
Lidy: - Certo. É lá naquele clube
No “Largo da Estação”?
Bex: - Não. Aquele que abriu.
Na “Rua da Redenção”.
Lidy: - Certo. Eu tô indo pra lá.
Bex: - Vê se não demora não!
24
Narrador: - É bom uma chuveirada
Pra conseguir relaxar.
Só é dar um tempo a ela...
Porque ela vai terminar
Caindo, sim, na real.
Mas é preciso aguardar.
25
Pô Nill! Pra que tanto choro?!
Tá booom! Se arruma doidão!
Bota a melhor roupa tua,
Perfume, essência, loção...
Vai! Te apronta. Ela vai “tá”
Na Rua da Redenção.
26
Nosso garoto, parece
Que dali pôde escutar
Meus informes... Ou melhor,
Minhas ordens. E, em seu lar,
O que se vê é bastante
Motivador pra narrar.
27
“Eu vou me dar bem com ela!”
“Ela vai dar o perdão!”
Só pra “cês” “ter” uma idéia
Do tamanho da unção
Motivadora que veio
Sobre o nosso campeão!
28
Saymon: - Vou lá “na” casa do Nill.
Hoje eu tô querendo andar.
Narrador: - Então te apressa, colega!
Porque ele vai “se mandar”
Já, já pra festa do clube.
É melhor acelerar!
29
Narrador: - Tanta roupa amontoada...
Eis a casa do irmão
Da Taty. Este aí é “porre”!
Ô cara sem direção!
Ter uma irmã tão certinha
E ser um tão sem noção!...
30
Taty: - Vai te arrumar, bicho porco!
Sam: - É que eu sou teu familiar!
Narrador: - Briga de irmãos é onda!
A gente rir de ficar
Arriscadamente sempre
A ponto de se urinar.
31
Camila: - Oi, gente! Eu tava co’a Beth.
Beth: - E o Ghi? Já chegou ou não?
Narrador: - Por certo, até a “ficante”
Ficaria no salão
A espera do tratante,
Cheinha de irritação.
32
Greg: - “Deixa eu” ir dar um “aviso”.
Pra Beth não se irritar.
Sérgio: - Mas que aviso é esse, Greg?
Greg: - Um que eu irei inventar
Já, já, pra não “vê-la” atrás
De quem não vai retornar.
33
Fred: - De fato... Vai “avisá-la”!
Greg: - Tu “quer” vir comigo então?
Tamy: - Fico te esperando aqui.
Greg: - Só vou ali “no” povão.
Aviso. E corro “praqui”.
Eu não me demoro não.
34
Narrador: - Tamy tava “arrasadora”!
Se esse aí não retornar,
Pode deixar, que eu mesmo
Apareço pra dançar.
Greg: - Tô indo. Mas volto logo.
Tamy: - Nem precisa se explicar!
35
Greg: - Beth, o Ghi se sentiu mal
E decidiu retornar
Pra casa, porque a dor
Tava de não suportar.
Disse que te encontraria
Depois no mesmo lugar...
36
Beth: - Lá na pracinha do centro?
Greg: - Deve ser... Porém, se não,
Tu “telefona” pra ele
Pra ter a confirmação.
Beth: - Tá bom. Mas, ele, tá bem?
Greg: - Taaá... Sem preocupação!
37
Greg: - Eu vou voltar pro salão.
Que ela tá a me esperar.
Narrador: - Dá pra ver dali a Tamy,
Mexendo no celular.
Por certo, já intranqüila,
Vendo a amiga dançar.
38
Greg: - Cheguei, meu bem. Demorou?
Tamy: - Fiquei numa apreensããão...
Greg: - Sei como é. É ruim mesmo
Esperar só no salão.
Mas eu tô aqui de volta.
“Vamo” nós?... Dançar então?...
39
Tamy: - Põe meu celular no bolso.
Que eu tô de não me agüentar.
Tô suando minhas mãos.
E o bolso aqui não vai dar
Pra colocar outro troço.
Na dança, vai derrubar.
40
Greg - Bem, certo. Dá ele aqui.
Narrador: - Com tanta cooperação...
Esse relacionamento
Tem tudo de uma união
Que vai durar muito tempo...
Bem... Mas que há disposiçããão...
41
Nill: - Saymon, “vamo” dar um “giro”.
Pra ver se eu posso encontrar
A Bex aqui neste clube.
Saymon: - Tô aqui pra te ajudar!
Se for pra dar umas voltas...
Então... “Vamo” começar!
42
Camila: - Olha lá quem vem chegando.
O cara da traição.
A namorada pegou
Ele co’as calças na mão.
Bem... Eu ouvi o boato.
Não sei se é verdade ou não.
43
Nill: - Viram a Bex por aí?
Camila: - Falei pelo celular
Com ela, tem uns minutos...
Nill: - E onde é que’ela pode estar?
Camila: - Huum... Não sei, mas ela vem.
Disse não se demorar.
44
Nill: - Valeu! Eu vou esperar!
Saymon: - Vai dar a voltinha não?
Nill: - Depois de uma nova dessas...
Fico por aqui, irmão.
Saymon: - Certo. Eu vou dar um “rolê”...
Nill: - Olha o Sérgio no salão!
45
Lidy: - Acha que ele tá no clube?
Bex: - Por que eu fui te esperaaar?
Lidy: - Peraí... Não quer saber
O que ele tem pra falar?!
E se foi só um boato?
Hum?... Como é que vai ficar?
46
Bex: - Sei não. Mas não quero vê-lo.
Nem ouvir explicação.
Foi muito constrangedor
Ouvir tal murmuração
Em cada ala da “facul”...
Lidy: - Mas não vais confirmar não?
47
Bex: - E ouvir tudo de novo?
Quem que pode suportar?
Tô cheia de tudo isso!
Eu não quero nem olhar
Pra cara dele. É depois
Que eu vou tentar apurar.
48
Lidy: - Isso é falta de auto-estima
Ou excesso dela então!
Bex: - “Cê” acha que eu não amava
O meu namorado não?
Lidy: - Eu não sei o que é que eu “diga”!...
É minha especulação.
49
Bex: - Como assim? Ele me trai
E eu é que sou a vulgar?!
Lidy: - Peraiií! Não disse isso!
Bex: - É... Mas deu pra’ “especular”!
Lidy: - Calma, Bex. Me perdoe.
Eu não quis te insultar.
50
Bex: - Acelera aí, “amor”!
Lidy: - “Vamo” lá. Tá bom então...
Narrador: - Co’uma lentidão daquelas
Não vão chegar hoje não!
E como é que anda o Nill,
O “rapaz da traição”?
51
Nill: - Ela hoje tá demorando.
Camila: - Calminha aí, “garanhão”!
Nill: - Por que essa agora, Cã?!
Camila: - Tô brincando, campeão!
Nill: - Perdão. É que eu tô nervoso.
Camila: - Ah... Então, não fica não!
52
Narrador: - Bem... Na minha opinião,
Um clima aí vai “rolar”!
Por que’a Cã tá tão risonha?
Sei lá! Mas dá pra notar.
É bom o Nill esquecer
A Bex e ir se agarrar.
53
Afinal, ele não vai
Ter a tal ocasião
De falar co’a namorada...
Melhor! Sua ex-paixão...
Bem... Pelo menos pra ela,
Que não quer conversação.
53
Saymon: - Aí! Encontrei com’o Sam!
Nill: - Diz! E a festa aí irmão?
Sam: - Tá “legal”... // Fiquei sabendo...
Mas achei a’informação
Totalmente desconexa...
Qual é a tua versão?
54
Nill: - Eu quero falar pra Bex.
Mas não vi ocasião.
Ela nem liga ou atende
Quando eu faço a ligação.
Já tô quase conformado
Com essa situação.
55
Sam: - É duro! Mas... E aí?
Tá na boa pra chamar
Umas “minas” no salão
Pra gente poder dançar?
Nill: - Tá doido é? Se ela vir,
Aí aumenta o azar!
56
Taty: - Não escuta esse palhaço!
Deixa de ser vacilão!
Sam: - Eu só tava dando apoio!
Pra animar o irmão!
Taty: - Vai animar outra turma!
Sam: - Maninha! Aí! Sem tensão!
57
Taty: - É que “cê” me deixa doida!
Como é que “cê” vem citar
Uma idéia dessas, mano?!
O cara vai se ferrar
Se fizer um troço desses!
Sam: - Pô! Eu só quis ajudar!
58
Taty: - Vai “ajudar” outro aí!
Tem um monte no salão
Querendo ouvir teus conselhos.
Mas Nill não precisa não!
Sam: - Tô indo então! Não precisa
Vir com tanta irritação!
59
Taty: - Aí, Nill! Não liga não!
Nill: - Tive uma idéia sem par!
Por que “cê” não dar um toque
Pra ela do celular?!
Ela não fala comigo,
Mas contigo vai falar!
60
Taty: - Se é isso que você quer...
Vou fazer a ligação.
Nill: - Por favorzinho... Por mim...
Taty: - Tá bom. Tô ligando então.
Bex: - Taty, eu já tô indo aí.
Taty: - Vem! Tá lotado o salão!
61
Bex: - Mas, o Nill? Tá por aí?
Taty: - Eu mesmo aqui não vi não.
Bex: - Ah, então tô indo aí.
Taty: - A gente se vê então.
Tchau! Mas vê se não demora.
Tô na “mó” empolgação!
62
Bex: - Certo então. Chego por volta
Das dez aí pra “arrasar”!
Tomara que o Nill não chegue...
É que ele iria estragar
A festa. E eu não tô querendo,
Nem um pouco, conversar.
63
Taty: - Tchau! // - Eu lamento dizer,
Mas a Bex, meu irmão,
Não tá pra conversa hoje
De forma nenhuma não.
É melhor deixar o “papo”
Pra outra situação.
64
Nill: - Já que é assim. Bem... Que seja!
Já tô na desolação...
Vou lá pra o clube que fica
No “Largo da Estação”.
Se ela quiser conversar,
Manda ela pra lá então!
65
Taty: - Eu acho muito difícil,
Devido à irritação
Demonstrada na voz dela,
Quando da afirmação
A respeito de você,
Na hora da ligação.
66
Taty: - Sinto muito. Mas a coisa
Tá de não se explicar!
Nill: - Tá bem. Valeu o esforço!
Taty: - Mas vai se solucionar!
Fica na paz, meu amigo.
Eu tô aqui pra’ajudar.
67
Taty: - Não acredito em nadinha
Do que eu já vim a’escutar.
É um monte de bobagem!
Não dá pra acreditar
Que ela caiu na conversa!
Eu nunca iria aceitar!
68
Porém, se ela te amar
Do tanto que disse, irmão,
Vai, sim, “cair na real”
E vai te dar o perdão...
Bem... Eu não sei do quê? Mas...
Torço pela solução.
69
A reconciliação
É coisa particular.
Se eu fosse você pensava
Bastante quanto a ficar
Por dentro do que ela sente
Por você... Sem hesitar!
70
Narrador: - “Deixa eu” mudar meu palpite.
Quem passa mais condição
Pra se pensar que está
A fim, na ocasião,
“Agora” é a Taty. É sim!
“Tá que é só” disposição!
71
Nill: - Falou! Eu tô indo ali.
Saymon: - Espera aí, meu irmão!
Nill: - Vou lá pra o clube que fica
No “Largo da Estação”!
Saymon: - Espera aí! Vou também!
Nill: - Anda logo então, doidão!
72
Beth: - Camila, eu tô indo embora.
Camila: - Por que tu já “quer” voltar?
Beth: - Primeiro: O Ghi “deu o bolo”;
Segundo: Quis me enganar;
Terceiro: Eu não “tô com saco”;
E quarto: Eu não vou dançar.
73
Camila: - Deixa de se lamentar!
“Vamo” adentrar o salão.
A festa tá animada.
Não há porque “morgação”.
Se ele não vem, que se dane!
“Vamo” entrar na “curtição”!
74
Beth: - Que ponto “cê” não “sacou”?
Quer uma repetição?
Camila: - Não precisa. Eu tenho quatro
Pra uma confrontação:
Um: Eu quero; dois: Te obrigo;
Três: É sim; e quarto: Então?
75
Beth: - E eu tenho uma opção?!
Camila: - “Vamo” entrar pra arrasar!
Beth: - Que seja! O Ghi não chegou!
Camila: - Esquece. “Começa andar”!
Beth: - Hoje tu tá violenta!
Camila: - É farra! “Vamo” dançar!
76
Narrador: - Fred na “agarração”;
Greg deixando rolar;
Sérgio já também aos beijos;
Sam buscando se encontrar;
Beth encontrando o Guilherme...
E agora? Pra explicar?
77
Nill já bem descontraído
No “Largo da estação”;
Saymon “de papo” num banco
De praça co’um “avião”!;
Bex e Lidy inda na pista:
O carro as “deixou na mão”!
78
Taty, Camila, Clarice,
Tamy, Brenda no salão.
As três últimas “agarradas”,
As duas primeiras não;
Três sorrindo “até demais!”
Duas sem empolgação.
79
E a noite, que já termina,
Nunca detém solução
Pra tudo. Então, sendo assim,
Sempre há de haver condição
De preceder muitas outras
Sem respostas pra questão.
80
Finda-se a agitação.
Resta ao peito descansar.
Sonha o ser. E o coração
Também se põe a sonhar.
Os olhos têm a’impressão
De uma realização,
Abrem-se, mas tal ação
É o que os faz acordar.



Capítulo 2

1
Lily, Laura, Mily (de uma vez): - Como é, Cley? Dancinha a três?
Narrador: - Pelo que posso lembrar,
Foi essa a última pergunta
Feita naquele lugar
Da “Rua da Redenção”
Perto “da” festa acabar.
2
Lily: - Eu tô querendo “ficar”
Com’o Cley. Essa é a razão!
Laura: - Ah, por isso tu “ficasse”
Cheia de irritação
Co’a investida da Mily
No clube da “Redenção”!
3
Lily: - A menina é um azar!
Ô gentinha sem noção!
Nem quero vê-la. Não “güento”
Tanto grau de afetação!
Laura: - De artificialidaaade!
Essa sim é a questão!
4
Narrador: - A fofoca corre solta,
Mas não só fofoca não,
Coisa escondida, palavras
Em nada de alto calão
E cismas antes contidas
Só pra’evitar confusão.
5
Cley: - Mas, Greg, eu tô “afinzão”,
Que não dá nem pra falar!
Greg: - Mas segura a onda, irmão,
Senão aí não vai dar.
Tu “sabe” como é menina!...
Não se pode confiar.
6
Cley: - Como assim? Pra “confirmar”?!
Greg: - É que é muito incerto, irmão!
A gente pensa uma coisa,
Vem outra sem ver razão.
Quer ver? Só é planejar...
Não dá pra confiar não.
7
Cley: - Pensando bem, tens razão.
Mas eu vou tentar falar
Com ela pra ver se acerto
Um canto pra “se” encontrar.
Se ela disser sim, “fechou!”,
Eu não vou nem hesitar!
8
Greg: - Boa sorte então, compadre!
Cley: - É. Disso eu vou precisar.
Greg: - Vai na fé! Isso é besteira!
Eu é que fui duvidar,
Mas, na verdade, isso é certo
Como o rio corre pra o mar.
9
Narrador: - Vamos aguardar o fato
Vir a se concretizar.
Desde já, eu tô torcendo.
Vê se não vai vacilar!
E todos aqui também
“Tão” torcendo pra “rolar”!
10
Clarice: - Vou ligar pra o celular
Do Fred pra condição
De confirmar se é verdade
Essa tua informação!
Tamy: - Mas é verdade, mulher!
Não acredita em mim não?!
11
Clarice: - Deixa de besteira, Tã!
É só pra confirmação!
Tamy: - Então depois tu “retorna”
Pra’esclarecer a questão.
Eu tenho quase certeza.
Mas e aí? Por que não?
12
Clarice: - Certo. Agora eu vou ligar,
Mas fica com’o teu na mão,
Que eu já, já tô te ligando
Pra passar a’informação.
Tamy: - Ah... Vou tomar banho agora.
Tu “liga” depois então?
13
Clarice: - Eu ligo. Fica tranqüila.
Fred: - Alô. Com quem quer falar?
Clarice: - É a Clarice, menino!
Nem se dispôs a salvar
O nome junto com’o número...
Ou é só pra’eu confirmar?
14
Fred: - Perdão. Atendi sem dar
À tela muita atenção.
É que atendi sem olhar
Pra o nome... Por distração!
Sabe? É que eu sou assim mesmo.
Mas mais uma vez, perdão.
15
Clarice: - Tá bem. E a informação
Que eu acabei de escutar...
Fred: - Qual foi e sobre quem é?
Clarice: - Não liguei pra fofocar!
É sobre você. E, então?
Vais hoje ao mesmo lugar?
16
Fred: - Bem, eu resolvi mudar
De planos na’ocasião.
Hoje eu tô indo pra praça.
Tu me “encontra” lá então?
Clarice: - Vou confirmar com a Tamy
E retorno a ligação.
17
Saymon: - Sam, o Nill disse que vai
Sair hoje pra andar.
“Tás” a fim de ir co’a gente?
A gente vai “num” lugar
Que dizem que é bom que só.
Passo aí pra te pegar?
18
Sam: - Eita! Então vão farrear?
Saymon: - Diz logo! Tu “vai” então...
Sam: - E por que eu não iria?
De mulher não corro não!
E, se vier mais de uma...
Ah, disso eu não abro mão!
19
Saymon: - Vou primeiro em direção
Ao “Quarteirão Escolar”,
Mas depois eu passo aí.
Então, é só me esperar.
“Cê” sabe. É que eu tenho uns “rolo”
Ali naquele lugar.
20
Sam: - Como assim? Não tô sabendo!
Saymon: - É que eu vou lá pra pegar
Uma gatinha na’escola.
Sam: - Ah moleeeque! Deixa estaaar,
Que eu vou descobrir quem é...
Saymon: - Nem adianta tentar.
21
Narrador: - Pelo visto não gostou
Do que o Sam veio a falar.
Ô carazinho enxerido!
Deveria se mancar!
Respeita o cara!... E a menina!
Deixa o romance “rolar”!
22
Narrador: - O clima tão frio e calmo
Vem umedecer o chão.
Beth inda se encontra em casa,
Porém co’a Camila não;
Taty tá co’a Bex; e Lidy
Tá vindo de condução.
23
Sérgio se encontra em ação
No “Shop”, em frente ao bazar;
Ghi, na saída da “city”,
De retorno pra o seu lar;
E Brenda, lá no salão
De beleza a se aprontar.
24
Já eu, a especular
Mentalmente a qual ação
O Sérgio tá dando cabo.
Também, em que condução
A Lidy está retornando
Para a sua habitação...
25
Vamos dar uma olhadela?
Pra podermos desfrutar
De uma resposta pra cada
Pergunta em particular?
Bem... Então me acompanhem,
Que a resposta eu posso dar.
26
Sérgio: - Sim. Este eu quero comprar.
Quanto custa a coleção?
Vendedor: - Um é vinte um e cinqüenta,
Senhor. Tá em promoção!
Sérgio: - Faz a conta dos quatorze...
Mas eu vou levar na mão...
27
Vendedor: - Então vou pegar o “box”,
Pra poder facilitar.
Sérgio: - Certo, rapaz.... E obrigado
Pela atenção exemplar.
Vendedor: - Volto já, já com os livros.
Sérgio: - Certíssimo. Pode “deixar”...
28
Lidy: - Cobrador! Pode avisar
“Pra mim” quando a condução
Estiver a cinco pontos
De chegar à estação?
Cobrador: - Claro, senhorita, aviso.
Lidy: - “Brigada” pela atenção.
29
Cobrador: - “Cê” pode continuar lendo
Que aviso quando chegar.
Lidy: - Tá certo. Eu te agradeço.
Vou sentar neste lugar.
Cobrador: - Certinho. Eu te falo quando
For pra descer, po’deixar!*

*lê-se “pó deixar”. Contração popular de “pode deixar” = “está bem”.
30
Narrador: - Após tanta cortesia,
Vamos nos enveredar
No que importa de fato,
Deixando o Sérgio a comprar
Seus livros e a jovem Lidy
No “busão” a retornar...

Epopéia Sertaneja (1º canto)

Epopéia Sertaneja

1
Ó Senhor, que nos santos céus habitas,
Dai-me a força da tua inspiração
Para aqui decantar ao som da lira
As histórias heróicas do Sertão,
Onde habita o boieiro que apascenta
O rebanho a pisar sedento chão.
2
Ó Espírito Santo, dai-me'a'unção
Que embevece o poeta popular,
Para, imerso em teu mar de inspiração,
Conseguir nestes versos contemplar
A mais alta façanha que um poeta
Possa em vida sonhar em alcançar.
3
Jesus Cristo, Senhor do Santo Altar,
Eu te peço que estendas tua mão
E me toques com teu poder sem par
Pra que eu possa entoar esta canção
Tendo o estro que almejo e a tua bênção
Que preenche de paz o coração.
4
Ó Trindade, que a vida do cristão
Faz mudada pra que ele possa andar
Divulgando o prazer que é prosseguir
Vendo a fé que só vós podeis doar.
Ofertai-me o poder de ver findado
O que agora me ponho a começar.
5
Eis o nosso boieiro a cavalgar
Pelos vales de atroz vegetação
Entre abrolhos que trancam-lhe a passagem,
Entre as pedras que soltam-se do chão.
É valente. É um forte. É a imagem
Das pessoas que vivem no Sertão.
6
Eis que um dia encontrou-se em sedição
Quando um bicho cruel veio a matar
Quase todo o rebanho de animais
Os quais tanto pressou, sempre a cuidar.
E ao ver frangos, cabritos, bois e bodes
Estendidos no chão, pôs-se a chorar.
7
Acordando outro dia, foi olhar
Para o resto da sua criação.
Quando viu a sangria violenta,
Teve a mais aflitiva sensação.
Foi até seu cavalo e, ao vê-lo vivo,
Ajeitou-se e montou no alazão.
8
Adentrou as quebradas do sertão,
Num impulso de fúria tão sem par.
A poeira subiu tomando o vão
Dos buracos nas locas do lugar
E o boieiro partiu encouraçado
Para achar o tal bicho e o enfrentar.
9
No caminho algo estranho pôde achar.
Era um grande portal, feito um tufão.
Viu o bicho de fora e quis entrar.
Fez carreira e não fez hesitação.
Pulou dentro do vórtice veloz
Que girava naquele árido chão.
10
Ao entrar, encontrou-se sem ação
Ante os monstros que via no lugar.
Num rojão sem medida quis fugir,
Por que viu não poder digladiar
Contra os Leviatãs e os Beemotes
Que o seguiam atrás para o matar.
11
Desses Leviatãs ouviu falar.
Foi no Livro de Jó, em pregação
Feita um dia na' igreja do lugar,
Onde há tempos fizera habitação.
Temeu muito, porém ouviu que Deus
Contra os tais lhe daria proteção.
12
Já dos tais Beemotes fez menção
Quando os viu, porque pôde analisar
Que eram eles iguais aos da passagem
Que, num dado momento, pôde achar
Quando lia a' Escritura Sacrossanta
Nos batentes defronte do seu lar.
13
Ao pensar nisso tudo veio a' estar
Mais tranqüilo, porque viu na lição
Da' Escritura Sagrada uma mensagem
De incentivo, de fé e proteção.
Então tudo o que tinha que fazer
Era orar ao Autor da Criação.
14
Na carreira ele orou de coração
E, ao abrir os seus olhos, no lugar
Inda havia os dragões o perseguindo
E os cruéis Beemotes a "urrar",
Só que atrás deles vinha um cavaleiro
Com'a espada e o arco a guerrear.
15
Viu ainda outro ser vindo ajudar.
Co'uma lança e montado num bisão.
E, por fim, outro homem assentado
Sobre as costas compridas de um pavão.
Diante disso, ficou mais confiante
Por não mais estar só nessa missão.
16
Empunhou a peixeira numa mão
E correu pra detrás pra enfrentar
As Serpentes Aladas e os Lagartos
Gigantescos que o vinham confrontar.
Mas agora ele tinha três amigos
Para juntos poderem batalhar.
17
Co'a chibata batia sem cessar.
Co'a peixeira fazia um só rasgão
Que já dava pra pôr muitos dos monstros
Sobre as relvas hostis daquele chão.
Era olhando pra frente e mutilando
Os dragões sem sofrer um arranhão.
18
Mas, de súbito, viu-se sem ação
Outra vez quando pôde contemplar
Mais um outro portal, qual um tufão,
A puxá-lo, querendo-"lhe" tragar.
Foi puxado, adentrou e não mais viu
Os colegas que estavam a lutar.
19
Nesse mundo ficou, sem avistar
Qualquer vil ameaça e fez menção
De voltar pra'ajudar os seus amigos,
Só que, aí, o portal fechou o vão
Por onde ele adentrou e ele ficou
Lá parado sem ter outra opção.
20
Eis que o "sono bateu", mas ele não
Quis de modo nenhum se entregar.
Acabou cochilando, pois que o sono
É mais forte e ninguém pode enfrentar.
Dormiu lá sobre os campos verdejantes
E sonhou retornando pra o seu lar.

Poetic-Lit - (1º parte)

POÉTIC-LIT

1
Alguns anos se passaram
Até vir a completar
Vinte e um anos de idade
E estar naquele lugar
Onde eu vivi esta história
Que me disponho a contar.
2
Lembro que não pude estar
Tão livre na minha infância
O quanto pude ao mudar-me
Praquela espaçosa estância
Onde achei paz pra o meu ego
Mantendo a dor à distância.
3
Findei qualquer inconstância
Para com’o meu próprio ser.
Decidi tomar alento
E começar a me ater
À liberdade almejada
Pra encontrar mais prazer.
4
Mudei assim meu viver.
Comecei a trabalhar
Vendendo os próprios livretos
Que insistia em publicar
A expensas de uma herança
Que insistia em perdurar.
5
Também resolvi entrar
Numa faculdadezinha
Que ficava a duas ruas
De onde se encontrava a minha,
De sorte que, de retorno,
Sempre a pé pra casa eu vinha.
6
Alguns clientes eu tinha
Feito naquele lugar,
Por isso dava “legal”
Pra’eu conseguir “me virar”
Com minhas despesas básicas
Sem me desesperançar.
7
Às vezes de lar em lar
Ia pra me permitir
Exceder um pouco as vendas
E assim poder atingir
Uma meta que eu visava
Pra’um ganho a mais conseguir.
8
Isso por querer sair
Com’um pouco mais de dinheiro.
Poder gastar mais um pouco
E ainda ficar maneiro
De se arcar com as despesas
Da vivenda o mês inteiro.
9
Na faculdade, o primeiro
A chegar sempre era eu.
Ficava na praça em frente.
E ali um amigo meu
Chegava e puxava um papo
Sobre algo que aconteceu.
10
Eu sempre gostei do seu
Jeito de comunicar
Coisas simples ocorridas
Lá no “ambiente escolar”.
Falávamos por um tempo,
Depois tocava pra’entrar.
11
Tinham naquele lugar
Umas garotas bacanas.
Meu amigo era casado,
Então só as levianas
Ainda se aventuravam
Em investidas sacanas.
12
Semanas após semanas
“A estrada era de espinho”:
O Maik vivia entrando
Nos erros do descaminho;
E eu, pra me desenrolar,
Tinha que tentar sozinho.
13
Não havia desalinho
No meu modo de agir.
Só que sempre alguma coisa
Me evitava conseguir
Fechar o papo co’a “gata”
“Chamando ela” pra sair.
14
O Maik, pra revestir
Meu ser de motivação,
Insistia em me falar
Dicas pra “azaração”
Ficar bem mais desenvolta...
E eu sempre lhe dei razão!
15
Tava um dia no portão,
Quando tive uma suspeita
Que havia uma professora,
Que se encontrava à direita
Do Maik, e “estava de flerte”,
E a isso eu não fiz desfeita.
16
A “prôfa” era bem aceita
Na galera juvenil.
Ô mulherzinha graúda!
Meu peito ficou a mil.
E o Maik notou de longe
Minha investida febril.
17
Não me fiz de pueril,
Decidi ir lá falar
Com ela pra resolver
A “parada” sem nem dar
Espaço pra timidez
Que me fizesse hesitar.
18
O Maik veio ajudar
(como se eu necessitasse!),
Caminhou meia distância,
Mas acabou com o “impasse”
Quando me viu ir a ela
Pra conversar face a face.
19
Já prevendo até o’enlace,
Parou ao focar a cena.
Eu tava a fim de agir.
E a chance ali era plena,
Pois via que aquela ação
Valeria muito a pena.
20
Ia ficando pequena
A distância entre nós dois.
Ela sentada em um banco
De onde viria depois
A levantar-se e arcar
Co’aquilo ao qual se dispôs.
21
Vi bem que ela se propôs
A não fugir do “litígio”,
Que medo, da sua parte,
Não notei nenhum vestígio.
E arcar, pois, co’a minha parte
Vi ser pra mim um prestígio.
22
“Belida nem pterígio”
Me impediriam de ver
Consumar-se tal ação
Que eu insistia em fazer.
Só mesmo Deus pra’impedir
De aquilo, enfim, ocorrer.
23
Cheguei a’empalidecer
A face por um instante,
Só que logo isso passou
E, eu, de uma forma marcante,
Coloquei-me em frente a ela
E ela não se pôs distante.
24
Eis ali belo flagrante
De algo que daria certo.
Ela puxou logo papo
E eu, que já tava mais perto,
Nem me fiz de envergonhado,
Nem fiquei semi-desperto.
25
Em tudo fiquei esperto
E decidi lhe fitar
Os olhos com mais capricho
Pra poder mais lhe ouriçar
Pra que ela ficasse atenta
Pra’o que eu queria falar.
26
Pensei: “Foi bom eu pegar
Umas aulas tempo atrás
De direção na’auto-escola
Pra hoje me achar em paz
Quanto a levá-la pra casa
De carro em momentos tais”.
27
Corri ao Maik e, sem “mas”,
Pedi seu carro emprestado.
E ele, que antes já me vira
Dirigindo com cuidado,
Emprestou-o sem delongas,
Reservas ou desagrado.
28
Antes de correr ao lado
E pedir ao meu amigo
Ali seu carro emprestado,
Eu pedi sem ver perigo
Pra que a “prôfa” me esperasse,
Que a levaria ao abrigo.
29
Cheguei sem impor castigo
Àquela que me esperava.
Pedi pra que ela adentrasse
O carro no qual estava.
Ela entrou e então eu vi
Que mais nada ali faltava.
30
O transporte já tomava
Uma estrada paralela,
Quando eu percebi que dava
Pra pedir-lhe sem querela
Pra pararmos num café
Pertinho da casa dela.
31
Sabia haver algo nela
Que sempre concordaria.
Não hesitei em pedir,
Porque vi que ela queria.
Ela “topou” e paramos
Em uma cervejaria.
32
Mas só que naquele dia
Tava com sorte demais.
Vi que o clima não seria
“Legal” em quaisquer locais.
E, ao olhar pra’o lado achei
Algo que deixou-me em paz.
33
Cervejarias são mais
Pra beber e pra “farrar”.
Eu queria algo mais calmo.
E quando quis encontrar,
Achei ao lado um local
Pra um encontro sem par.
34
“Que restaurante exemplar!”
Pensei ao que o avistei.
Disse-lhe: - É bem mais tranqüilo
Aquele local que achei.
Ela concordou com tudo.
E eu muito feliz fiquei.
35
Ao sentar-me, eu constatei
Que tudo iria dar certo.
Me veio à mente lembranças
E então me senti coberto
De ainda mais garantias
E razões pra’estar “esperto”:
36
Vi o corredor deserto
Na faculdade e olhei
Pra o fundo e lá ela estava.
Apreensivo fiquei,
Entrei na sala apressado,
Mas o porquê eu não sei.
37
Ainda ali recordei
De outra vez quando urinava
No banheiro e, ao sair,
Ela fora me esperava.
Olhou pra mim e sorriu,
Mas mui disperso eu estava.
38
Lembrei quando me encontrava
Na sala da reitoria.
Ela entrou, enrubesceu,
Olhou pra mim, só que o dia
Fora (^) difícil pra mim
E eu evitei “ousadia”.
39
Soube que não deveria
Esperar mais nenhum décimo
De segundo, mas teria
Que beijá-la sem decréscimo
De sentimento, pois já
Tava me sentindo péssimo.
40
Cada lembrança era acréscimo
À dor que me corroia.
Ela tinha me mostrado
Tudo quanto ela sentia
Em cada olhar, cada gesto,
Cada apelo que fazia.
41
A minha atroz covardia
Havia sido demais.
Todas as recordações
Feriam como punhais.
Eu tinha que agir de vez
Pra’amenizar os meus ais.
42
Seus olhos, como cristais,
Brilhavam postos nos meus.
Puxei-a suavemente.
Beijei-a (graças a Deus!).
Pus fim nas decepções
Que havia nos olhos seus.
43
Depois, perdida nos breus
Dos meus olhos obscuros,
Ela se sentiu segura;
E eu escapei dos apuros
Nos quais outrora me achava,
Em momentos inseguros.
44
Meus instantes imaturos
Me custaram muito caro.
Mas, quando agi, me senti
Livre do engano mais claro
Que cometia ao privar-me
De um episódio tão raro.
45
Ainda bem que o “descaro”
Quanto aos enganos de antes
Fora(^) por ela esquecido.
E que, naqueles instantes,
Tudo ali corria bem,
Mantendo os erros distantes.
46
Em tais momentos marcantes
“Liz” se abriu cada vez mais.
Soube seu nome, seus “hobbies”,
Seus gostos e os mais “legais”
Detalhes da sua vida,
Que me atraíram demais.
47
Soube o nome dos seus pais
(coisa até muito incomum!),
Mas só porque’ela’insistiu
Em também não dar nenhum
Espaço pra’eu escapar
De citar detalhe algum.
48
Comigo era “pá e pum”,
Já que ela queria ouvir.
Conversamos, nos olhamos,
Nos beijamos sem sentir
Desejo algum de falar
Que já era hora de ir.
49
Só decidimos partir
Bem tarde. “Isso não importa!”
Ela me exclamou sorrindo.
Então eu abri a porta
Do automóvel e partimos
Co’a noite já quase morta.
50
A lembrança me conforta
Quando recordo momentos
Como esses que nós passamos,
Cheios de bons sentimentos,
Frases de carinho mútuo
E olhares de dor isentos.
51
No’outro dia o ar de alentos
Daquele dia inda estava
A me incentivar a vida,
Pois que ainda me apontava
Aquele evento tão bom
Que, em tudo, me confortava.
52
Sei que o meu corpo lutava
Pra não levantar da cama.
Era terça e era tarde.
Continuei de pijama.
Trabalhar naquele dia
Seria pra mim um drama.
53
Fiz até um “melodrama”:
- Lá fora o chão tá em brasa!
Lembrei de umas livrarias,
A “Leitura”, A “Orbe” e a “Plaza”
Onde eu tinha que passar,
Mas findei ficando em casa.