quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Câmara “Malassombrada” (O fantasma do banheiro)

E isso não é maravilha,
Porque o próprio
Satanás se transfigura
Em anjo de luz.
(II Coríntios 11.14)

Baseado em Boatos Reais


A Câmara “Malassombrada”
(O fantasma do banheiro)
1
Tava buscando uma história
Daquelas de arrepiar,
Todavia não achava
Uma boa pra contar,
Até que encontrei Geraldo
Pra “dessa” vir me salvar.
2
Ele disse que o lugar,
Onde exerce a profissão
De vigilante noturno,
É cheio de assombração.
Aí “deixou-me” animado
Qual gabiru no lixão.
3
Falou de uma aparição
Que gosta de freqüentar
O banheiro lá da câmara,
Só que, após utilizar,
Esquece a torneira aberta
E ele é quem tem que fechar.
4
Já se cansou de acordar
E encontrar molhado o chão
Do banheiro do recinto,
Devido à assombração
Ter deixado a “pia” aberta
Só pra causar confusão.
5
Mas algum tipo de ação
Teria que demonstrar
Pra poder impor respeito
Àquele espírito vulgar.
Então colou um aviso
Na parede do lugar.
6
Quando o vulto foi usar
O tal banheiro em questão,
Viu afixado o aviso,
Porém, só por mangação,
Mijou o tapete todo
E defecou no salão.
7
Geraldo virou no “Cão”
Quando viu a’insalutar
Bagunça do tal fantasma
E resolveu revidar.
Planejou uma armadilha
Pra tentá-lo aprisionar.
8
Se fez que estava a sonhar
E, quando a assombração
Desceu a escada e foi
Fazer utilização
Do banheiro, ele fechou
A porta num só puxão.
9
E fez iniciação
De uma conversa exemplar
Pra’aconselhar o fantasma
Que teria que fechar
A torneira do banheiro
Antes de se retirar.
10
Ele até quis escutar,
Mas ficou co’enrolação.
Deu uma desculpa vaga.
Disse que a sua intenção
Não era irritar ninguém
Nem causar desunião.
11
Após lavar cada mão,
Não quis mais contrariar
Geraldo e fechou a “pia”.
Saiu. Sorriu ao andar.
Subiu a’escada e partiu
Pra onde queria estar.
12
Geraldo foi cochilar
Ali próximo ao corrimão.
Mas não demorou praquele
Vulto virar-se no “Cão”,
Não o deixando dormir,
Correndo pelo salão.
13
- Ah! Assim não vai dar não! –
Falou Geraldo a gritar.
- Vai dormir, velho implicante.
E deixa a gente brincar! –
Disse outro vulto pentelho
Que também quis badernar.
14
- Ah! Mas assim não vai dar!
Que eu tô aqui no colchão! –
Disse Geraldo, com raiva
Devido à conversação
E à correria de vulto
Ali naquele salão.
15
- Qualé a tua, ancião?! –
Falou um sem nem ligar
Pra o descanso de Geraldo
Que já tava pra’estourar.
Levantou-se do colchão
E começou a bradar:
16
- Pode vir, que hoje eu vou dar
Em vocês uma lição!
Um correu pra apartar
A briga ali no salão,
Mas “acaba” que acabou
Entrando na confusão.
17
Soco, forquilha, empurrão,
Rasteira pra derrubar,
Tapa, bufete co’a mão
Fechada pra desmaiar...
Era tanto do fantasma
Que nem dava pra contar!
18
Uns que quiseram ficar
De um lado da confusão
Optaram por Geraldo,
Mas outros, na’ocasião,
Nem tinham sequer um lado,
Batiam sem “ver” razão.
19
Era tanto do empurrão
Que nem dava pra ficar
Direito no “pé” da briga,
Que uma mão a vadiar
Puxava do pé pra bunda
E de lá pra’outro lugar.
20
Quando cansou de brigar,
A turba até fez menção
De aceitar termos de paz,
Mas já no’outro dia não
Havia mais paz nenhuma
Naquela edificação.
21
Geraldo diz que o rojão
Só quem agüenta enfrentar
É ele mesmo. E eu não nego,
Porque nada é similar
À briga da “fantasmada”
Que ali vive a badernar.
22
Só é o cara deitar,
Começa a guerra do “Cão”.
Um vozerio. Um batido.
Coisa voando do chão.
Porta batendo. Janela.
E a briga sem solução.
23
Ao menos a confusão
Serviu para desviar
A atenção do fantasma
Que vinha o banheiro usar
E sempre deixava a “pia”
Ligada, só pra zombar.
24
- Pra dormir é que é azar.
E isso ainda eu discuto. –
Diz Geraldo Trocador. –
- Mas de uma paz eu desfruto:
Pelo menos o banheiro
Agora amanhece enxuto!

Os “Malassombros” do Arnaldo (A noiva do corredor)

E isso não é maravilha,
Porque o próprio
Satanás se transfigura
Em anjo de luz.
(II Coríntios 11.14)

Baseado em Boatos Reais

Os “Malassombros” do Arnaldo
(A noiva do corredor)
1
Assis Brejinho, o vigia
Desse ambiente escolar,
Chamou-me “uma certa” noite
E começou a falar
Sobre umas coisas estranhas
Que viu naquele lugar.
2
Disse que teve o azar
De sofrer perseguição
De uns “malassombros” que vinham
Trazer-lhe inquietação.
Viu tanta da’alma penada,
Que já nem dava atenção...
3
Copo caindo no chão,
Prato, talher, alguidar,
Livro da biblioteca
Se mudando de lugar,
E até cadeira arrastando,
Mas sem ninguém nem tocar.
4
Escutei sem me chocar
Com nada, até esse irmão
Contar-me sobre uma moça
Que apareceu no salão
Do referido colégio
Numa dada ocasião.
5
Vinha com’o buquê na mão
Vestida pra se casar.
E ele, quando a avistou,
Ficou sem poder falar.
Quase mijava nas calças,
Mas agüentou segurar.
6
Depois decidiu deixar
Pra lá a inibição.
Começou a conversar
Co’a citada aparição.
E se sentiu confortável
Naquela situação.
7
Disse que a sua feição
Era de aspecto sem par.
Nada de face esquelética
Ou voz que atraísse azar!
Era uma alma daquelas
Que dá gosto a gente olhar.
8
Resolveu então marcar
Encontros co’a tal “visão”.
Mas lhe disse pra mudar
A vestimenta em questão,
Que era cedo pra casar
Sem construir relação.
9
Essa sua opinião
Ela acatou sem ficar
Desapontada com ele
Pelo fato de pensar
Em já ser bastante tarde
Pra não pensar em casar.
10
Já que morreu sem provar
Desse tipo de união.
No entanto viu que, pra ela,
Assis era um “partidão”,
Então decidiu ouvir
Sua deliberação.
11
Assis botou a loção
Depois de se barbear.
Colocou a melhor roupa,
Bem após se perfumar.
E partiu para o Arnaldo
Pra co’a “visão” se encontrar.
12
Chegou a cumprimentar
Todos com animação.
Todos até estranharam,
Mas não acharam razão
Pra “desconfiar” daquela
Sua grande empolgação.
13
No corredor do salão
Da’escola ele foi andar.
Deu um pretexto pra ir
No escuro averiguar
Se aquela assombração
Já o estava a aguardar.
14
“Começou assobiar”
Pra’atrair aparição,
E, eis que apareceu um vulto
E o agarrou pela mão.
E ele, feliz, já pensou
Que fosse a mesma “visão”.
15
Mas só que não era não
E ele até quis se esquivar,
Mas o “bicho” deu-lhe um chute
Mesmo “naquele lugar”,
Que ele ficou “se doendo”
Sem nem poder respirar.
16
Pois que o vulto “inexemplar”
Que lhe fez aparição
Era o noivo da mocinha
Por quem sentia atração,
Que, mesmo depois de morto,
Não suportou traição.
17
Diante da escuridão,
Assis a viu prantear,
Então não mais se agüentou
E decidiu guerrear
Co’o vulto pela donzela
Que o não queria deixar.
18
“Danou-se” logo a se armar
Co'uma foice e um bastão.
Até acertou uns golpes
No bucho da’assombração,
Mas findou perdendo a luta
Devido à sua exaustão.
19
Nunca mais viu a “visão”
Por quem foi se enamorar,
Que o vulto levou a moça
Pra’além do vão tumular
E ele hoje, depois de tudo
Só o que faz é chorar.
20
Disse que quis me contar
Este relato em questão
Pra ver se eu achava um jeito –
Já que eu sou muito cristão –
De trazer ela de volta
Por meio de uma oração.
21
Eu disse que ela era o “Cão”,
Só que ele não quis levar
Em consideração tudo
Que vim lhe comunicar.
Rezou, suplicou, mas nada
Daquela’alma retornar.
22
Inda me pego a orar
Pra que essa sua paixão
Por aquele "malassombro"
Saia do seu coração.
Mas ele insiste em querer
Quem não lhe dá atenção.
23
Pois bem, se tanta oração
Ele faz pra retomar
Seu romance com a moça
E ela não quer escutar,
O melhor é esquecê-la
Pra não se desmantelar.
24
Dei-lhe um conselho exemplar:
- Assis, vê se não te “priva”
De um outro amor encontrar
E solta o que te cativa!
- Esquece essa moça morta.
Vai namorar uma viva!

As Aparições do Flóridi (A misteriosa mão)

E isso não é maravilha,
Porque o próprio
Satanás se transfigura
Em anjo de luz.
(II Coríntios 11.14)

Baseado em Boatos Reais


As Aparições do Flóridi
(A misteriosa mão)
1
Estando pra terminar
Minha humilde coleção
De cordéis “malassombrosos”,
Escutei a narração
De um mistério que havia
Naquela “imediação”.
2
Pois que a minha habitação
Fica perto do lugar
Do qual ouvi a respeito
De um fato “de arrepiar”
Sobre uma mão que ali
A muitos veio assombrar.
3
Bem, nessa escola, exemplar
No ensino e na tradição,
O banheiro antes ficava
Em meio à escuridão
E costeiro a umas salas,
As quais, lá, ainda estão.
4
E eu já ouvira da mão
Que ali vivia a vagar.
Mas havia muito tempo
Que não pudera escutar
“De” novas aparições
Dessa “entidade” sem par.
5
Até me poder achar
Tomado de empolgação,
Ao escutar Everaldo
Falando acerca da mão
Branca, magra e cadavérica
Que tanto causou tensão.
6
Falou de uma ocasião
Na qual foi utilizar
O banheiro da escola,
Porém não pôde encontrar
Ali papel higiênico
Para poder se limpar.
7
Mas “deixa que”, ao ponderar
Sobre a localização
Do tal papel higiênico,
Apareceu uma mão,
Estando ele na privada
Na maior concentração.
8
Sem notar que a tal da mão
Tava sozinha a voar,
Ele pegou o papel,
Que ela lhe veio entregar
E ainda agradeceu
“A mãozinha”, ao levantar.
9
Só depois veio a “sacar”
Que a danada da mão
Que o havia ajudado
Naquela situação
Voava, mas sem o corpo
Pra dar-lhe sustentação.
10
Correu pra recepção
Pra que pudesse falar
Com Ângela acerca do fato
Que pôde ali constatar.
E ela e os demais funcionários
Foram lá “pra’averiguar”.
11
Chegando àquele lugar
Conseguiram ver a mão
E o resto da’escola soube,
Aí, deu-se a confusão:
O povo todo correndo
Devido à apreensão.
12
Mas, Ângela e o cidadão,
Guarda do âmbito escolar,
“Se acalmaram” por ali,
Pra tentarem conversar
Co’aquela mão, pra que ela
Deixasse aquele lugar.
13
Só que ela, a gesticular
Numa comunicação
Toda através de sinais,
Não dava a compreensão
Devida do que queria
Diante da situação.
14
Mas, justo na’ocasião
Que ela quis se aperrear,
Chegou na’instituição
Quem poderia ajudar:
O guarda do cemitério
Pra’o mistério desvendar.
15
Chegando, pôde falar
Que antes da construção
Do colégio, um rapazinho
Morrera naquele chão
E, embora achando seu corpo,
Nunca acharam sua mão.
16
“O” puseram num caixão,
Vindo então a enterrar
O corpo sem sua mão,
Pois ninguém ousou pensar
Que a mão depois voltaria
Pra’o corpo reivindicar.
17
E, assim, após o azar
De enterrá-lo sem a mão,
Por certo o corpo ficou
Sentindo alguma aflição
E a mão não mais suportou
O peso da solidão.
18
Logo após explanação
Tão “extracurricular”,
O guarda do cemitério
Tratou de a mão acalmar
E a colocou sobre “os ombros”
A fim de a poder levar.
19
Ela inda estava a chorar,
Quando ele a tranqüilizou.
Estava muito assustada.
“Se despediu” e montou
Nos ombros do vigilante
E ao cemitério rumou.
20
Chegando lá, ele olhou
Pra ela sem se abalar
E pediu pra que falasse
Onde haveria de achar
A cova em que o tal rapaz
Estaria a repousar.
21
A mão pôs-se a apontar
Pra um só lugar no chão
E ele “começou cavar”
Sem qualquer hesitação.
Mas, ao findar o trabalho,
Ela fez sinal que não.
22
E correu na direção
De outra cova a apontar.
E lá foi ele de novo
Pra outra vez escavar.
Mas, ao findar o serviço,
Ela se pôs a negar.
23
Só sei que “veio acertar”
Depois de abrir um montão
De covas no cemitério.
E, só aí, viu a mão
Levantando o polegar
Pra que ele abrisse o caixão.
24
E, ao abri-lo, aquela mão
“Veio” ao corpo se agregar.
Antes se abraçou com’o guarda
E agradeceu a chorar.
E prometeu nunca mais
Aquela escola assombrar.

A Prefeitura Fantasma (O fantasma de Apolônio)

E isso não é maravilha,
Porque o próprio
Satanás se transfigura
Em anjo de luz.
(II Coríntios 11.14)

Baseado em Boatos Reais


A Prefeitura Fantasma
(O fantasma de Apolônio)
1
Nêgo Orácio, o vigilante
Do ambiente em questão,
Contou-me fatos sinistros
Que eu tive satisfação
De escutar com apreço,
“Lhe dando” enorme atenção.
2
Falou de uma sucessão
De ocorrências “de assustar”:
Caixa arrastando, barulho
De porta aberta a fechar
Em repetidas batidas,
Sem haver como explicar.
3
Aparições a “voar”
No teto da construção,
Palma, assovio e fungado
De venta de assombração,
Resmungo, choro e risada
De fazer tremer o chão.
4
Disse “da” ocasião
Que mais o pôde assombrar.
Deu-se numa sexta-feira
Bem na hora do jantar,
Quando foi fazer um lanche
Ali naquele lugar.
5
A 13 do mês sem par
De outubro deu-se a “visão”.
Um forte redemoinho,
Levantando o pó do chão,
Contaminou-lhe a comida
Co’a poeira do salão.
6
A’estranha ventilação
Aconteceu sem estar
Ventando em canto nenhum
Fora daquele lugar,
Mas só no canto específico,
Onde ele estava a lanchar.
7
E quando ele foi jogar
Lá no lixo a refeição,
Aí, ouviu no banheiro
O som da ativação
Da descarga da privada
E ficou sem reação.
8
Mas, com determinação,
Depois foi averiguar.
E, ao subir a’escadaria
Que dá pra o primeiro andar,
Ouviu uma voz chamando
E então correu pra olhar.
9
Poderia se tratar
De alguém na recepção
Que esquecera alguma coisa
Naquela repartição.
Dirigiu-se então pra ver
Quem estava no portão.
10
No entanto, chegando, não
Viu ninguém a “lhe” chamar.
Estranhou, e um telefone
Logo pegou a tocar.
Era o orelhão de fora
E ele foi averiguar.
11
Atendeu sem hesitar
A chamada no orelhão.
Ficou ouvindo um chiado
E um rosnado sem razão,
Até ouvir uma voz
Que lhe deixou sem ação.
12
Dizia: - Aqui é o “Cão”.
E eu vou aí te pegar.
Já são dez horas da noite,
Às doze eu vou te buscar.
Se prepare pra morrer,
Que eu “tô” doido pra matar.
13
Ele correu do lugar.
Foi falar co’um cidadão
Que trabalhava ali perto
Nessa mesma profissão
De vigilante noturno,
Mas noutra instituição.
14
- Zé de Mirôcha, hoje o “Cão”
Disse que vem me pegar! –
Exclamou “seu” Nêgo Orácio,
Já querendo se mijar.
Mas Zé disse não poder
Sair pra ir “lhe” ajudar.
15
Então teve que voltar
Pra o canto da’assombração.
Mas, chegando ao tal lugar,
Não notou nenhuma ação
Fantasmagórica ali dentro
Daquela edificação.
16
Aí, sem explicação,
Deu-lhe um sono de tombar,
E ele se deitou sem nem
Mesmo o colchão colocar.
Mas, depois de meia hora,
Algo o veio a acordar.
17
Um pisado sem parar
Em nítida aproximação...
E ele acordou assustado
A se debater no chão.
Por serem já doze horas,
Pensou, por fim, ser o “Cão”.
18
Levantou rápido do chão
E ficou a esperar.
De repente apareceu
O seu primo a acenar.
- Apolônio Vitorino... –
Disse a o identificar.
19
Esse seu familiar
Morto “o chamou atenção”.
Disse que queria vê-lo
De novo na’ocasião
Pra lhe cobrar um dinheiro
Que deixou na sua mão.
20
Sem a restituição
Do que veio a “lhe” emprestar
Não poderia partir,
Pois precisava pagar
Uma taxa no além
Pra poder se acomodar.
21
Comentou necessitar
Da tal quantia em questão,
Porque’a política de taxas
Pra’alugar uma porção
De terra ali no além
Não permite à prestação.
22
Ao que ele estendeu a mão
Co’a quantia pra pagar
E o vulto ali, satisfeito,
Admitiu se tratar
Dele aquela ligação
Que o chegou a assustar.
23
Despediu-se do lugar
Onde estava e, com a mão,
Deu adeus a Nêgo Orácio
E partiu em direção
Da rua, “se evaporando”,
Após se elevar do chão.
24
Nêgo Orácio, desde então,
Com dívida não se conforta.
Se “tá” devendo a defunto,
Paga à família o que importa,
Que é melhor dever a vivo,
Que dever a gente morta.

A Assombração do Fórum (O "Malassombro" Eleitor)

E isso não é maravilha,
Porque o próprio
Satanás se transfigura
Em anjo de luz.
(II Coríntios 11.14)

Baseado em Boatos Reais


A Assombração do Fórum
(O “malassombro” eleitor)
1
Zé da Coxinha, um amigo
Que é mesmo que um familiar,
E que no Madrugão Lanches
Está sempre a trabalhar
Até tarde, relatou-me
“Coisas” sobre esse lugar.
2
Dali podia escutar
Como uma reunião
A altas horas da noite,
Mas não via explicação
Pra inda haver gente ali,
Pois não havia razão.
3
Mesmo ali do Madrugão,
Dava pra ele avistar
Luz se apagando e acendendo
Dentro do primeiro andar
E sombras misteriosas
Rondando aquele lugar.
4
Veio ainda a me contar
Que num tempo de eleição,
Isso há vinte anos “atrás”,
Botou-se uma guarnição
Ali para vigiar
As urnas da votação.
5
Três oficiais então
Ficaram lá pra “cuidar”
Que ninguém lá adentrasse
E viesse violar
As urnas que, no’outro dia,
Eles iriam levar.
6
Quando veio trabalhar
Perto da repartição,
Onde fica o seu comércio,
Viu a movimentação
De oficiais adentrando
Aquela repartição.
7
Mas não havia sessão
Que pudesse constatar.
Eram seis horas da noite.
No entanto, pôde notar
Claramente três pessoas
Que ficaram no lugar.
8
Deduziu, pois, se tratar
De um tipo de guarnição.
Passaram-se horas e horas,
E ele lá no Madrugão,
Até que, depois das duas,
Deu-se algo na’ocasião.
9
Correram pra o Madrugão
Os três daquele lugar.
Foram perguntar a ele
Se alguém ficava a cuidar
Dali, mas ele falou
Que não sabia informar.
10
Então “pegaram dizer” *
Que havia algo de assustar
Vagando naquele canto
E um fantasma a cozinhar.
Outro varrendo e outros cem
Fazendo fila a andar.
11
Zé então foi constatar
Se aquilo era fato ou não.
Na hora estava comendo
Pão com suco de limão.
Mas não deixou a comida,
Saiu com ela na mão.
12
Quando andou em direção
Das escadas do lugar,
Notou morderem seu pão
E o copo ali a secar.
Perguntou quem tinha sido,
Mas cada’um veio a negar.
13
Vendo o copo esvaziar
E se acabar o seu pão,
Começou gritar com todos,
Que negaram a ação,
Suspeitando aquilo ser
Coisa de uma assombração.
14
O copo voou da mão
De Zé no primeiro andar.
Aí, os quatro correram
Pra’escada pra “retornar”,
Mas um vulto apareceu
Dizendo: - Eu quero votar.
15
Zé então pode lembrar
Que aquela repartição
Antes fora(^) uma cadeia
E viu que cada “visão”
Daquelas morrera sem
Poder ir à votação.
16
Fez a fila no salão
E ali mandou preparar
O título de eleitor
De quem quisesse votar.
E os oficiais com pressa
Trataram de começar.
17
Era mandando assinar
E entregando na mão
O título de eleitor
Para cada cidadão
Fantasmagórico que ali
Esperava a votação.
18
Pôs-se dentro de um salão
Urnas que viram se “achar”
Sobrando da votação
Sem ninguém utilizar.
E era adentrando um a um
Pra que pudessem votar.
19
E, depois de terminar
Votação e apuração,
Foi eleito um “malassombro”,
Que era da’oposição,
O qual recebeu a faixa
E o aplauso do povão.
20
E ele veio em direção
Do amigo Zé pra’apertar
Sua mão e agradecer
Por tanto se esforçar
Por garantir o direito
De quem queria votar.
21
Disse: - Eu nunca pude achar
Que um vivo desse atenção
À gente morta do jeito
Que você deu, meu irmão.
Receba esta lembrancinha
Pra ter de recordação.
22
Deu-lhe um lindo medalhão
Que ele se pôs a guardar
No bolso de trás da calça
E, após chegar ao seu lar,
“O pendurou” na parede
Próxima da sala-de-estar.
23
Ninguém mais quis comentar
Toda aquela aparição.
Os oficiais partiram
Sumiu-se a assombração
E Zé, ao ver tudo claro,
Foi fechar o Madrugão.
24
Mas, em tempo de eleição,
Dizem que no tal lugar
Sempre ocorre uma sessão
E os fantasmas vêm votar
Pra eleger o fantasma
Que melhor sabe assombrar.
(*Por falta de atenção de novo eu errei a deixa. Perdão.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O Beco do Cemitério (Sandro e a Assombração)

I
Meu nome é Sandro e eu vou
Contar um caso a vocês
Que aconteceu comigo
No'ano de noventa e seis.
Só não digo a data certa
Por não me lembrar do mês.
II
Um amigo certa vez
Comentou comigo assim.
Disse que um beco que tinha
No bairro do Alecrim
Ficava "malassombrado"
Depois da tarde ter fim.
III
E eu, que achava ser "pantim"
Toda história de terror,
Não fiz questão de saber
Nem o grau nem o teor
De verdade dessa história
Que lhe causava temor.
IV
O tal beco assustador
Margeava o cemitério.
Pensei, então que a história
Só era levada a sério
Por causa desse detalhe
Que sempre atraiu mistério.
V
Por sempre achar deletério
Dar crédito a tal conteúdo,
Passava sem ter espanto
Pelo beco, e via tudo
Como uma grande besteira
Sem comprovação e estudo.
VI
Só que um dia eu fiquei mudo
Ante uma situação.
Já tava tarde da noite,
Não havia um só cristão
Na rua e eu inventei
De caminhar sem razão.
VII
Só por obstinação
Fui ao bairro do Alecrim
Pra tentar achar no beco
Alguma coisa de ruim
Que era pra'eu zoar com ela
E sair rindo no fim.
VIII
Porém não foi bem assim
Que o negócio aconteceu.
Eu não sei por que razão
Um grande medo ma deu
Quando eu avistei o beco
Na escuridão do breu.
IX
Alguma coisa correu
Com extrema rapidez
Do meu lado; e eu senti
Que àquele dia do mês
Eu veria um "malassombro"
Lá pela primeira vez.
X
E eu "nem conto o que ele fez"...
Ficou dando cutucão.
Mas só que ele era invisível
E eu fiquei sem condição
De pegar aquele "bicho"
Naquela provocação.
XI
Eu quis pegá-lo "de mão"
Muitas vezes, todavia
Foi inútil, que o danado
Sempre escapava e fazia
Que eu insistisse sem êxito
Naquela idéia* vazia.
XII
Então, já por rebeldia,
Eu decidi agredi-lo
Com palavras ofensivas
E ele não gostou daquilo,
Resolveu aparecer
Por já estar intranqüilo*.
XIII
Outro espírito sem estilo
Apareceu pra'apartar
O combate que ali mesmo
Estava pra começar.
Um ringue desceu do céu
E a gente "pegou brigar".
XIV
Esse veio pra julgar
Aquele embate medonho
Entre eu e a assombração,
Que aquilo não era um sonho,
Era uma coisa real
Que hoje a contar me disponho.
XV
Só sei que "topei" com'o Tonho,
Meu amigo e camarada,
No outro dia bem cedo
E eu tava co'a cara inchada.
Disse que briguei com'o Cão,
Mas ele não creu em nada.
XVI
A briga foi "da pesada",
Mas dá pra ver que eu ganhei,
Inda tô vivo... Mas quem
Não quer crer no que eu contei
Quando o vento der açoite
Por volta meia-noite
Vá "no" beco onde eu passei.


* Não sou a favor do Novo Acordo Ortográfico.